Quando penso, escrevo, quando sinto, falo, mas quando quando escrevo o que sinto...

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Carta de alma


Confesso que a cada dia perco um pouco mais do que fui, que a cada momento morro um pouco para que em mim desperte um novo eu, a cada segundo sinto menos o que costumava sentir e com isso novas sensações tomam o lugar dos sentimentos antigos, me livro de antigas barreiras pra adotar novas para num futuro superar.
   Me perco em pensamentos, refletindo continuamente sobre o que se passa dentro de mim, muda tudo toda hora, muda hoje muda agora. Me perco em eus líricos e personas que surgem com o tempo passado, com o tempo ainda a passar, e no presente encontro reflexos de tudo, o passado em memória, o futuro a se moldar.
   Confissão leviana, me expõem como criança recém retirada do útero, forçada pra fora do aconchego do leito conceptivo, nasço e renasço sem o conforto do ventre, frágil e disposto, pequeno, pois assim forte crescerei.
   Ambíguo é o sentimento do crescimento, expectativa nutrida pelo desenvolvimento. Devo assumir o contento que se cria. Eu penso se sente da mesma forma que eu, se pulsa forte a música criada pela cadencia cardíaca no mesmo ritmo que o meu? Muito é dito sobre rítmica, mas a freqüência é a mesma? Se as cores vibram com mesma intensidade, se brilham com mesmo vigor. As dúvidas são sempre mais frequentes que as respostas.
   Nessa hora descanso meu copo na mesa, o cansaço intelectual me alcança e a turbulência criativa me atinge com vigor, não dá brecha para o sono, uma noite em claro, uma semana talvez, sem sossego me preocupo com quem não posso cuidar, a distancia é minha maior inimiga, fator limitante mais constante.
   Por vezes me iludo, acho que a verdade está estampada, ou pintada com cores vividas à minha frente, engano rude, erro tolo. Não há verdade, não há absoluto, todo "qual" tem o seu "cada", toda visão tem o seu ponto cego. Ao menos enxergo escapatórias, pois também, todo padrão possibilita uma variedade de quebras.
   Aleatório pensamento, permite o estreitamento, de fato a distancia complica qualquer processo, o carnal carece e o impalpável fortalece, negando o concreto o restante floresce, uma vez a distancia foi um fator limitante, mas depois os limites são negados pela mente.

Redigida em 27/05/2012

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